Tokenismo e Racismo Tecnológico

Tokenismo e Racismo Tecnológico



Como tema “blackfishing” ainda é um tabu, resolvi explicar um pouco sobre o conceito de integração psicossocial “Tokenismo” ou “Síndrome do Negro único”, que facilita o entendimento sobre “blackfishing” e racismo tecnológico.


Tokenismo?

A expressão tokenismo deriva do termo inglês token, que significa símbolo. Consiste na prática de fazer publicamente pequenas concessões a um grupo minoritário, tão somente para ocultar eventuais acusações de preconceito ou discriminação. O tokenismo é uma estratégia para criar uma falsa aparência de inclusão, ou seja, é uma medida com poucas concessões, quando no fundo o que se pretende é manter as estruturas de dominação. É o que ocorre quando há UM PRETO SOLITÁRIO em algum ambiente historicamente racializado, ou UMA MULHER SOLITÁRIA num contexto masculinizado, mas eles são apenas utilizados como peças simbólicas, sem poder decisivo dentro da estrutura, para que não haja maiores questionamentos sobre a índole discriminatória do ecossistema analisado.


Na linha de frente do trabalho informal, o prete moderno, adaptou-se e encontrou alguns caminhos através do empreendimento e economia colaborativa. População de cor (mamelucos, cafuzos, caboclos e pretos) do país são maioria entre trabalhadores desocupados (64,2%) ou subutilizados (66,1%), segundo informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Atualmente, as pessoas de cor representam 55,8% da população brasileira e 54,9% da força de trabalho.

No que diz respeito a ocupação de cargos gerenciais, as pessoas de cor são a minoria (29,9%). Pela divisão de trabalhadores por por níveis de rendimento, apenas 11,9% dos maiores salários gerenciais são pagos a trabalhadores de cor, enquanto essa população ocupa 45,3% dos postos com menor remuneração.


Tanto que em 2016, um estudo realizado pelo Instituto Ethos, com as 500 maiores empresas do Brasil sobre a diversidade étnico-racial, identificou que em cargos de conselho de administração os negros ocupam apenas 4,9% das posições, no quadro executivo esse número é de 5,8%, já em gerência e supervisão, 6,3% e 25,9%, respectivamente, entende?


Promover a diversidade nas empresas não se resume ao ato de contratação. A questão é mais profunda e envolve participação e protagonismo em decisões importantes da empresa, além de representatividade, o game é sobre liderança.


Note-se que uma verdadeira política pública deve promover ATRAVES de condições de integração mais profundas aos grupos que sofrem , desmascarando relações de poder que buscam ocultar o assujeitamento de grupos minoritários dos benefícios oferecidos do ponto de vista social.


Racismo tecnológico

Cinco de março de 2019. Carnaval de Salvador. Enquanto aproveitava a festa de Momo, no circuito Barra-Ondina, Marcos Vinicius de Jesus Neri, de 19 anos, foi preso pela Polícia Militar da Bahia. O fato, comemorado pelo Governo do Estado, marcou a primeira prisão via tecnologia de reconhecimento facial do Brasil. Que coincidentemente, prendeu apenas homens pretos, pois:


  • Entre março e outubro deste ano, 151 pessoas foram presas a partir da tecnologia de reconhecimento facial, em quatro estados (Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraíba);

  • A idade média das pessoas presas é de 35 anos;

  • Nos casos em que havia informações sobre raça e cor, ou quando havia imagens das pessoas abordadas, registrou-se que 90,5% eram negras;

Porém a tecnologia é nova e pode ter inúmeras falhas no reconhecimento facial. O que torna uma prova do crime, pode ser apenas um erro pela tecnologia em formação. Ao menos é o que deixa na mente, como é possivel o reconhecimento facial apenas reconhecer pessoas pretas? Mesmo perfil, racismo puro!

“A parte do corpo utilizada na biometria, seja a digital ou a face, nunca é analisada por completo. Isto quer dizer que são escolhidos alguns pontos do rosto ou do dedo e, com base nas distâncias entre esses pontos, é calculada a probabilidade de aquela digital ou de aquela face ser da pessoa cadastrada no banco de dados. No caso do rosto humano, as possibilidades de haver diferenças ou modificações nessas distâncias são bem maiores do que numa digital, já que uma pessoa envelhece, pode estar bocejando, piscando”

Pablo Nunes, coordenador de pesquisa da Rede de Observatórios de Segurança


O governo do Reino Unido está sendo acusado de implantar um sistema de reconhecimento facial de cunho racista para verificação de fotos de passaporte. De acordo com a New Scientist, o governo britânico sabia que a inteligência artificial funcionava melhor para identificar pessoas brancas e falhava em alguns casos na identificação de pessoas de tons de pele mais escuro. Mesmo assim, eles decidiram continuar utilizando a tecnologia.

Depois de São Francisco tornar-se a primeira cidade dos EUA a, efetivamente, proibir o uso de câmeras de reconhecimento facial por agências públicas, o município de Sommerville, em Massachusetts, decidiu seguir os mesmos passos, e meio parou por ai. Em 2017, uma galera no escritorio do Facebook, percebeu que as saboneteiras com reconhecimento por infravermelho não reconhecia alguns tons retintos pela calibragem que nunca tinha sido feita para tons mais escuros de pele, ou seja, preto retinto não precisa lavar as maos?


Atualmente reproduzido em diversas camadas o racismo tecnológico é o meme da "trança bonita" "trança feia", uma forma cordenada de manter a estrutura do jeitinho que esta, sem ranhuras.

Blackfishing é uma forma de apagamento de cultura, pois atribuir a pele clara a memória de ilustrar o que a pretitude significa neste momento, é afirmar o processo eugenista no Brasil e suprimir novamente a presença do retinto no sistema semiótico brasileiro.


Ser preto único é osso, não seja.

Ser o primeiro preto é osso, mas seja.

Ser preto é ser escuro.

Ser preto é ser forte.


Precisamos desta forma reformular o algoritmo para inserir o code MISCIGENAÇÃO e desta forma ampliar a compreensão do brasileiro sobre raça e a história do estupro no Brasil.


Cabocla não é novela.

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